Autobiografia
PUBLIQUEI o meu primeiro livro em 1992. A Tristeza Contentinha de Alexandre O’Neill, um ensaio que tinha escrito uns anos antes para um seminário de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa, ganhou o Prémio de Revelação de Ensaio APE/IPLL do ano de 1990. Fui depois dar aulas de Literatura numa Escola Superior. Nos primeiros anos tive pouco tempo para escrever. Dava aulas, muitas e variadas. Em 1998 pude regressar aos livros em modo de edição e novamente ensaio. Porém o ensaio não me satisfazia, por achar que a minha linguagem estava ainda demasiado presa a formulações académicas desinteressantes e pouco operativas. Propuseram-me então escrever a biografia de Alexandre O’Neill. Lancei-me à tarefa um tanto às cegas, entrecortada com as aulas e a intensa vida de noctívaga. Alexandre O’Neill. Uma Biografia Literária saiu em 2007 na Dom Quixote. Entretanto, fui editando a obra dele na Assírio & Alvim, acrescentando-lhe textos que tinha encontrado na minha pesquisa pelos jornais para lhe escrever a vida. Enquanto escrevia a biografia, achei que precisava de estudar sobre o género. A autobiografia tendo já alguma aceitação académica, pude escolher os biógrafos de Camilo como meu objecto de estudo de doutoramento na UNL. Graças à bolsa para doutoramento da FCT deixei as aulas, que tinham passado a ser de Língua Portuguesa. Sou trabalhadora independente desde 2005. Em 2014 saiu Não. Uma Biografia do Ar.Co (Documenta) celebrando os 40 anos da Escola. Sendo a biografia de um não-humano, optei por uma abordagem ao género não-convencional, que não lhe retirasse contudo o estatuto de narrativa factual. Veio depois, a partir da biografia de Alexandre O’Neill, uma peça de teatro e um guião de um filme. Em 2018, comecei a ensinar Escrita de Biografia na pós-gradução em Artes da Escrita na UNL. Neste momento trabalho na biografia de Cesário Verde. Em 2023, tive o apoio da DGLAB na forma de uma Bolsa de Criação Literária, o que me permitiu estar seis meses exclusivamente dedicada à biografia de Cesário. A Fundação Eça de Queiroz deu-me a oportunidade de me isolar em trabalho durante um mês na Casa de Tormes em Residência Literária. Com a pesquisa fundamental feita, estou na fase de tratamento do material, que é muito e diverso. Aprendo que cada biografia que escrevo é diferente da anterior, dependendo totalmente do biografado — como se novamente inaugurasse a minha aproximação ao género biográfico.
Diz-se que a Universidade forma especialistas. Ora, o biógrafo é todo o contrário de um especialista. No fundo, é um empírico. Quer saber de tudo, da vida em todos os seus aspectos, da natureza humana não compartimentada. É um curioso incansável. Como ensinar então esta arte de escrita? Continua aqui.
No Porto, às segundas-feiras, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Género pouco cultivado em Portugal, a biografia sofreu nos últimos anos um impulso e um interesse inusitados, tanto na sua produção como na leitura. Camilo Castelo Branco, Alexandre O’Neill e Cesário Verde serão os biografados que irão conduzir a panorâmica sobre o género biografia.
Mais informação aqui.
O António Tomás disse uma coisa fundamental sobre o encontro: "Finalmente chamam-me para falar sobre o meu trabalho e não sobre o Amílcar Cabral." E nesta frase exprimiu o que todos pensávamos.
Na foto, com a Joana Matos Frias, com quem tive a sorte e o prazer de conversar. Pode ser vista aqui.
A Isabel Coutinho foi falar com os biógrafos.
Cesário Verde: procuro documentos
Continuo à procura de documentos para escrever a biografia de Cesário:
Cartas de Cesário ou a ele enviadas
Escritos dele de toda a espécie
Fotos de Cesário ou da família
Cartas dos amigos próximos: António José da Silva Pinto, António Maria de Bettencourt Rodrigues, Joaquim José Coelho de Carvalho, João Bonança, Fernando Leal, João de Sousa Araújo, António Macedo Papança (Conde de Monsaraz), Luiz de Andrade.
Cartas da época ou posteriores que dele falem
Se tiver algum destes documentos consigo, pode certamente ajudar-me. Escreva-me para o endereço oliveiramariantonia@gmail.com ou telefone-me. A sua contribuição para a biografia será expressa no livro — ou ficar no anonimato, se assim o desejar.
Um Filme em Forma de Assim [ver aqui o filme integral]
Quero pegar no teu livro do O'Neill, dizia-me o João Botelho. Um musical, disse-me ele numa noite no Music Box. Sim, concordei logo, como fizeste a Peregrinação. Uns tempos depois trouxe-me um primeiro guião. Escrita para aqui e para acoli, acabámos por concordar que não seria um estrito biopic, e íamos fugir à representação da vida de O'Neill tal como eu a tinha empreendido na biografia que tinha escrito dele. Estraçalhámos tudo e ficou Um Filme em Forma de Assim. Estreou em Maio de 2022 no IndieLisboa.
A Teresa Carvalho falou comigo nessa altura.
A Isabel Lucas encontrou-se comigo e com o João Botelho em minha casa numa tarde de sábado.
A foto é das filmagens do dia 19 de Abril de 2021.
Portugal, Meu Remorso
A Ana Nave tinha lido a minha biografia de Alexandre O'Neill e veio desinquietar-me para fazer uma coisa para o palco. A ela juntou-se o João Reis.
Fiz então a dramaturgia a partir de textos de Alexandre O’Neill — poemas, prosas, cartas, panfletos. Num acesso de originalidade, chamei-lhe Portugal, Meu Remorso.





